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‘Um dia na vida de Ivan Deníssovitch’, Aleksandr Soljenítsin

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A história concentra-se no dia-a-dia mundano de um prisioneiro num dos Gulags, um dia da sua vida. Levantar da cama, ir trabalhar, adormecer à noite; sabendo que no dia seguinte será o mesmo e assim sucessivamente. As condições são horríveis, sobretudo com a falta de comida e de roupa para proteger do frio de -30ºC.
Esperava que este livro fosse um pouco deprimente. Pelo contrário, foi edificante ler sobre as pequenas alegrias que Ivan encontra no seu quotidiano, as coisas simples que ele aprecia. O que emerge é um conto de como a humanidade se pode relevar e aguentar, mesmo nas mais difíceis circunstâncias.

« O trabalho é como um pau, tem dois bicos: se o fazes para as pessoas, dá-lhe qualidade; se é para um chefe, faz de conta. »

« Um homem é mais caro do que o ouro. Se falta uma cabeça para lá do arame farpado, terá de a substituir com a sua. »

« No campo, a brigada era uma estrutura para que não fossem os chefes a incitar os reclusos, mas estes a incitarem-se uns aos outros. Aqui é assim: ou recebem todos a ração suplementar, ou rebentam todos. Tu não trabalhas, malandro, e eu vou ficar com fome por tua causa? »

« O estômago do recluso suporta tudo: hoje arranja-se de qualquer maneira, amanhã comerá. Com este sonho, o campo vai-se deitar com a ração mínima do dia. »

« Era preciso poupar também as pessoas. O rendimento era necessário. Mas explicar o quê, se a pessoa não compreende? »

« Quando ainda estava em Ust-Ijmá, recebera uma ou duas encomendas. Mas ele próprio escreveu à mulher: não vale a pena, não mandes, não tires da boca dos pequenos. »

« De modo geral, à noite a sopa é mais líquida do que de manhã: de manhã é preciso alimentar o recluso para que trabalhe, e à noite vai dormir, não morre. (…) Aí está, esse breve instante para o qual o recluso vive. Agora não se queixa de nada: nem de que a pena é longa, nem de que o dia é comprido, nem de que não vai haver domingo outra vez. Agora pensa: sobrevivemos! Sobrevivemos a tudo, se Deus quiser isto chegará ao fim. »

« – Por mais que rezes, o tempo da pena não encurtará. Vais ficar aqui do primeiro ao último toque.
– Também para isso não se deve rezar! O que te dará a liberdade? Em liberdade a tua última fé será abafada pelos espinhos! Alegra-te com a prisão! Aqui, tens tempo para pensar na tua alma! »

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