Livros

‘A ponte sobre o Drina’, Ivo Andric

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Ivo Andric é um excelente contador de histórias. Tudo se passa em torno de uma ponte, construída logo no princípio do livro, ponte esta que servirá de prisma para o autor nos apresentar a história dos Balcãs desde o século XVI até à 2ª Guerra Mundial. E o autor fá-lo através de pequenos contos, da vivência de homens, mulheres e crianças, com diferentes alicerces religiosos que condicionam o seu comportamento dentro da pequena comunidade de Visegrad, Bósnia.

Algum custo a iniciar esta leitura e a perpetuá-la, não sou fã deste tipo de livro. Estava sempre à espera de algum fio condutor nas personagens que desse mais algum sentido à narrativa, quando, afinal, a personagem principal é a ponte. Não desfazendo, é uma obra literária extremamente bem conseguida, na qual somos embalados ao longo de quase quatro séculos de história mundial.

 

« Os homens que não trabalham e que nada empreendem na vida perdem facilmente a paciência e cometem erros quando julgam o trabalho dos outros »

« Trabalhando com devoção, resignara-se, havia muito, à ideia de que o nosso destino na Terra reside na nossa luta contra a decadência, a morte e a dissolução, e que o homem deve continuar esta luta, mesmo que ela seja completamente inútil »

« – Não é preciso que tenham pena de mim, pois todos morremos uma vez só, apenas os grandes homens morrem duas vezes: a primeira, quando deixam este mundo, e a segunda quando desaparece o seu legado »

« O esquecimento tudo cura, o canto é a mais bela maneira de esquecer, pois ao cantar o homem só se lembra do que ama »

« Os que governam e têm de oprimir para governar não têm outro remédio senão agir de acordo com a razão; mas se se deixarem levar pela paixão ou pela pressão a que os submete o adversário, ultrapassarão o limite da sensatez e resvalarão encosta abaixo, marcando o início da sua queda. Em contrapartida, os oprimidos e espoliados usam ao mesmo tempo a razão e a insensatez, que são simplesmente dois tipos de arma na luta, secreta ou declarada, contra o opressor »

« A verdadeira vida é feita daqueles períodos calmos, seria uma loucura vã quebrar esses raros momentos de paz procurando uma outra vida, mais sólida e mais estável, que não existe »

« Por uma lei natural, o homem resiste às inovações, mas não vai até ao fim, porque, para a maioria, a vida é sempre mais importante e mais iminente que as regras com as quais se vive. Apenas os indivíduos excepcionais vivem um verdadeiro drama na luta entre o antigo e o moderno »

« Relegados para os cantos mais afastados, ficavam calados os amantes da aguardente. Gostam daquela penumbra e do silêncio onde veneram a aguardente como se fosse uma relíquia e detestam o movimento e a excitação. Com o estômago queimado, o fígado inflamado, os nervos destrambelhados, mal barbeados e mal arranjados, indiferentes a tudo o que há neste mundo, mal se aturam a si próprios, ali ficam a beber e, bebendo, esperam até que a luz mágica com que a aguardente ilumina aqueles que a ela se rendem perdidamente venha finalmente espalhar sobre eles a alegria pela qual é doce sofrer, decair e, por fim, morrer, mas que infelizmente a cada ano que passa vai ficando cada vez menos brilhante »

« Sempre que um governo sente a necessidade de prometer paz e prosperidade aos seus cidadãos por meio de uma proclamação, é altura de estes se precaverem e esperarem o contrário »

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